O secretário de Justiça do Piauí, coronel Carlos Augusto, fez uma avaliação dos três anos à frente da pasta e destacou avanços na infraestrutura do sistema prisional, fortalecimento da política de ressocialização e a necessidade de enfrentar o preconceito da sociedade contra pessoas que deixam o cárcere.

Segundo o secretário, um dos primeiros passos da gestão foi a realização de um censo carcerário, que passou a orientar a implementação de políticas públicas.
“O censo serviu exatamente para nos direcionar, para aplicar a política pública correta. Eu costumo dizer que sou prefeito de uma cidade com quase oito mil pessoas, que começou com cinco mil e cresceu mais de 60%. É um grande desafio lidar com essa população”, afirmou.
Carlos Augusto explicou que o crescimento do encarceramento é consequência direta do fortalecimento das ações de segurança pública no estado e ressaltou o apoio do governador Rafael Fonteles e do Ministério da Justiça.
“Temos hoje um direcionamento forte do governo estadual e também do Ministério da Justiça, por meio da Secretaria Nacional de Política Penal. Isso fortalece o trabalho dentro do sistema penitenciário”, disse.
Entre os principais investimentos, o secretário destacou a recuperação de unidades, construção de novos presídios e ampliação de vagas.
“Vamos inaugurar três unidades até o dia 30 de março. Temos uma nova CDP em Altos, estamos concluindo uma CDP em Picos, construindo uma penitenciária feminina também em Picos e a maior penitenciária da história do Piauí, a nova CPA, com 1.173 vagas”, pontuou.
Ele afirmou que, atualmente, o estado conta com o chamado “ciclo completo da pena”, que começa na audiência de custódia, passa pelos regimes fechado e semiaberto e segue até o acompanhamento do egresso.
“Não adianta apenas reeducar e profissionalizar. Quando essa pessoa sai, ela é encaminhada ao Escritório Social, onde buscamos oportunidades para que ela não volte ao crime”, explicou.
De acordo com Carlos Augusto, dados do censo mostram que 43% da população carcerária já esteve presa ao menos uma vez, índice semelhante ao nacional, o que evidencia falhas históricas do sistema. No entanto, ele afirma que o Piauí começa a apresentar resultados positivos.
“Hoje acompanhamos cerca de 1.700 pessoas pelo Escritório Social. Temos dezenas e dezenas que deixaram o cárcere e estão tocando pequenos negócios ou trabalhando em empresas”, afirmou.
O secretário também comentou sobre a resistência da sociedade em aceitar ex-detentos.
“Existe um preconceito, e eu entendo o medo da população. Mas esse trabalho é feito pensando na sociedade. No Brasil não existe prisão perpétua. Essas pessoas vão sair, e precisamos tentar devolvê-las melhores”, ressaltou.
Por fim, Carlos Augusto afirmou acreditar na força da educação e do trabalho como instrumentos de transformação.
“O trabalho e o estudo podem mudar vidas. Mudaram a minha. Eu venho da periferia, trabalhei desde pequeno, e sei o quanto isso transforma uma pessoa”, concluiu.

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